A cultura do descartável é algo muito complexo para a gentedobem do lagentebuena. A maneira como a sociedade saiu do campo para as cidades revolucionou a forma como se produz alimentos, uma de nossas necessidades básicas. O luxo e as possibilidades de uma vida melhor na cidade maravilhou os sonhos dos cidadãos da época. Logo, as cidades tornaram-se grandes cidades, com pessoas chegando e partindo todos os dias em busca desse mesmo sonho ultrapassado de “vida melhor na capital”.
Este deslocamento trouxe para o mundo uma queda no número de pequenos produtores agrícolas, auto-sustentáveis, pois estes agora encontravam-se apertados em cubículos na bela urbe, sem 1m² pra plantar se quer um pé de manjericão. Como a cidade proveria a alimentação destas pessoas? A brilhante resposta foi a Revolução Verde; prometiam que com a intervenção tecnológica no campo a fome no mundo em desenvolvimento seria resolvida. Bom, foi realmente uma revolução, pois introduziu os agrotóxicos e as sementes hibridas nas culturas tradicionais, acabando com conhecimentos ancestrais e o mais importante: sementes crioulas! Já pensou nas diversas quantidades de milho que existiam aqui na América? Diversas cores e tamanhos foram substituídos pelo amarelinho da empresa X. A Revolução Verde também mecanizou o trabalho no campo, substituiu o trabalhador pela máquina, deixando inúmeras pessoas sem opção se não ir para a cidade arriscar a sorte. Descartaram-se gerações.
Por não produzir mais seus alimentos, o povo da cidade depende de uma ampla rede de distribuição de alimentos, o que encarece o preço que se paga pelo alimento processado, congelado, embalado, transportado e distribuído. E tudo isso pára dentro de uma sacolinha de plástico que vai parar na Caximba, lixão à céu aberto. A falta de alimentos naturais alí na sua horta faz com que exista a demanda por embalagens descartáveis para transportá-los mais facilmente até os urbanóides que já não plantam. Compramos a bandeijinha de morangos com agrotóxicos porque não temos onde plantar e nem tempo para fazê-lo, nossas vidas estão tão corridas com o prazo do relatório da coorporação do senhor John Wayne; este relatório é de extrema importância para que Mr. Wayne consiga comprar mais jóias para sua amada, uma vez que a vida dela é tão vazia, tão deprimida e botoxzada e ele não sabe mais o que fazer, você bem que poderia ajudá-lo, não?
OK, isso foi um parênteses. AS EMBALAGENS circulam muito rapidamente nas nossas vidas, tudo vem no plástico, na latinha, no isopor, e pra onde vai tudo isso? Isso, que um dia já foi natureza, acaba matando o que hoje resta da natureza. A natureza transformada nesses materiais que usamos pra transportar as coisas maravilhosas de nossa vida moderna, acabam sendo DESCARTADAS de maneira muito imprópria, contaminando rios e vidas.
“agora tá bom, o futuro é que é negro” alguns insistem em pensar. Lagentebuena alerta: o futuro é agora! Precisamos ter uma postura mais séria em relação às embalagens descartáveis, e perceber que sua cultura permeia a vida da sociedade. TUDO É PASSÍVEL DE SER DESCARTADO: caderno, celular, cônjuge, camisa.
Parte do preço que pagamos pelas coisas, vem dessas embalagens, feitas especialmente para ir para o lixo e contaminar nosso futuro.
Reduza, recicle, reutilize. Estamos atrasados. Repensemos nossas vidas, e as dos outros seres do planeta. Será que o que se vê na TV pode ser chamado de realidade? Todos são bonitos, dirigem carros importados, amam à luz de velas e champagne? Você já parou pra pensar no dia de seu José, catador do seu lixo, que ajuda a fachada da sua casa a ficar mais bonita, mais semelhante a essa bela farsa que vivemos?
Pense nele. Pense em seu José.
João Oliveira
Lagentebuena
(01/12/2009)
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
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